Tens uma maneira estranha de fazer jornalismo!

Esta semana perdi algum do meu precioso tempo a ler o Jornal do Regime.

 

Como foi dedicado a São Marcos da Serra fiz o esforço de ler essa coisa que dizem ser uma espécie de jornal, cujo director diz ser uma espécie de jornalista ou lá o que é.

 

Pois bem, vou tentar aqui fazer uma análise o mais séria e isenta possível, aliás, à semelhança do que faz o director do Jornal.

 

Ora bem, logo na capa daquilo que se diz ser um "Jornal Regional Algarvio de Informação Geral e Opinião Política", o isento director e jornalista informa que o PSD e PS possibilitaram a aprovação do Orçamento para 2007, terminando da seguinte forma essa notícia «De facto, parafraseando um putativo da vida política "votar na CDU? Não obrigado!"» Lá de palavras caras percebe o homem... mas de jornalismo isento já começo a ter as minhas dúvidas.

 

Mas o que eu mais "gostei" de ler foi o artigo de opinião, a que o dito director/jornalista chama de análise política, escreve na página 3. Em primeiro lugar um bom jornalista sabe distinguir o que é um artigo de opinião do que é uma análise política. Isto para além de começar o artigo com um título que depois não fundamenta nem refere a fonte, característico de uma regateira de bairro, é de quem percebe tanto de jornalismo como eu percebo das causas do abandono dos pinguins do deserto africano.

 

Mas o título diz o seguinte: "Há uma sondagem que revela a derrota humilhante do PS e de Sócrates". Sublinhado e tudo! Sinceramente vi-me obrigado a ler o texto 3 vezes para descobrir onde falava nessa sondagem e quase no final de uma lição de filosofia e demagogia politica lá vejo a palavra sondagem... mas eu transcrevo a frase para ser mais claro aquilo que quero dizer: "Só a recente eleição de Salazar, como o maior português de sempre (na volta também votaste nele), deixou um recado rocambolesco, é certo, mas recado real e intuitivo, muito ao encontro de uma sondagem que sabemos existir e que penaliza o PS e Sócrates: a ditadura de Salazar é, nalgumas situações actuais preferível à de Sócrates..." Fantástica esta frase. Primeiro: diz saberem que existe uma sondagem... saberem? Já fala no plural? Deve estar a falar em nome do Regime. Mas voltando... diz saberem “existir uma sondagem que penaliza…”, então onde está essa sondagem, meu amigo? Qual é a fonte? Se esse Jornal é um "Jornal Regional Algarvio de Informação Geral e Opinião Política", o qual deveria ser isento e credível, onde está a fonte dessa informação? Das duas uma... ou não existe ou é mentira, o que vai dar ao mesmo. Independentemente do partido, o que está aqui em causa não é o partido ou o Primeiro Ministro, mas sim a credibilidade de uma afirmação/informação/notícia/boato seja lá o que lhe quiserem chamar e por sua vez a credibilidade do jornalista que a publica.

 

Mas o mais grave até nem é isso, o mais grave é como continua o parágrafo até ao fim "...muito ao encontro de uma sondagem que sabemos existir e que penaliza o PS e Sócrates: a ditadura de Salazar é, nalgumas situações actuais preferível à de Sócrates d. C, que implantou em Portugal uma sub-espécie de ditadura democrática, mais penalizadora, mais desmoralizadora, mais desmotivadora e muito mais castradora do que a que Salazar e Caetano impuseram aos portugueses durante quase 48 anos." Lindo! Uma análise política (como lhe chama o autor do texto) maravilhosa, ao bom estilo de um homem do regime ditatorial que governou o país até 1974, que agora se contenta em ser o homem do jornal do Regime, mas em tudo semelhante ao outro.

 

Acreditar em alguma palavra escrita por este senhor é de uma ingenuidade tão pura como a de uma menina que aos 20 anos ainda não viu o "padeiro". Acreditar que este homem é um jornalista é de quem não lê o que ele escreve. Perder tempo a ler o que este tipo escreve é de um mau gosto tremendo... e eu passei por isso.

publicado por António Ramos às 19:45 | comentar | favorito