Memórias do Campo da Alagoa

Este tema do futebol na aldeia trouxe-me à memória os grandes tempos do Campo da Alagoa. Os trintões e quarentões lembram-se certamente das grandes tardes de futebol passadas no campo, com 2 balizas de pau (sendo que para mim a baliza do lado da linha do comboio sempre foi maior do que a outra) e jogadores que se distinguiam entre o pó porque uns usavam camisa e os outros tinham que despi-la. Na mesma equipa jogavam putos de 13 anos e veteranos de 40.

O mais fantástico de tudo ainda era o campo. Tinha uma forma estranha (uma mistura de oval com octogonal), estava limitado de um lado por um barranco cheio de silvas e do outro por uma barreira cheia de pedras. Quem jogava de costas para a linha de caminho de ferro tinha, logo à saída da sua baliza, um sobreiro enorme pela direita que estava para essa equipa como o Luisão para o Benfica. Ali à babuja estava também a fonte que era usada para matar a sede e tirar o pó do coiro no final de cada tarde.

Os jogos tinham a duração de “até a noite cair” e no final toda a malta saia dali extenuada mas feliz e com laços ainda mais fortes.  Afinal o requisito principal para se poder estar ali nem era saber jogar “à bola”! Julgo que para todos o mais importante era a competição saudável e o prazer de passar uma tarde rodeado de amigos.

Chegaram a realizar-se ali jogos contra equipas das Pereiras, de São Barnabé e de Almodôvar. Vinham todos os familiares e amigos de jogadores assistir e no final em redor do campo ficavam os “assentos” improvisados com pedra de talisca a lembrar que aquele tinha sido jogo de casa cheia. Eram outros tempos que hoje me apeteceu recordar mas que muitos dos frequentadores deste espaço já nem conheceram.

publicado por João da Serra às 10:49 | comentar | favorito